CaveCanem escreveu: ↑Dom, 06 Setembro 2026 - 16:37 pm
Oh Deus...
Aquela entidade que é o sumo bem... mas que permite que crianças sejam violadas, morram de fome ou vivam uma vida de sofrimento desde que vieram ao mundo, que um inocente pague por crimes que nao cometeu, ...
Aquela entidade que é onipotente... mas que permite que seu adversario - supostamente inferior a ele e criado por ele - continue operando em todas as esferas desse mundo
Aquela entidade que veio revelar uma verdade... "verdade" que curiosamente assumiu uma miriade de formas incomensuraveis por ai afora. Em ciencia, não há versóes distintas da lei da gravidade
Aquela entidade que é onipotente... mas que fica nervosinha quando algum pobre diabo louva uma estatua qualquer ou profere uma blasfemia - ele consegue a façanha de ter o humor alterado por um mero humano
Aquela entidade que é amor... mas que tem preferencias por um povo e uma nação e que quando se revelou, o fez para uma pequena parte da humanidade enquanto todo o resto ficou imerso na ignorancia.
Aquela entidade que é amor... mas que criou criaturas cuja função não é mais que servir de comida para outras, ou que parasitam ou adoecem outras
Aquela entidade que é onipotente... mas que permite que seus representantes - sacerdotes - roubem, matem e violem manchando e desonrando seu nome e o da sua igreja
E vem me dizer que um tal deus tabajara criou tudo o que há?
Fosse assim, o universo já tinha dado tilt varias vezes, pois estaria a mercê do humor frágil, instável e das prefências e picuinhas desse deus.
Talvez até "crashasse" sempre que esse deus pequeno e nervosinho acordasse de ovo virado por um motivo idiota qualquer.
Cuspo no chão por um deus tão mediocre
O primeiro argumento a favor desta entidade, suprema em todas as dimensões e sentidos é a ciência argumentativa, ou seja, aquela que nasce das profundezas da lógica: conhecendo a teoria do Big bang, e toda evolução acontecida a partir daquela singularidade onde apenas havia energia, radiação e partículas subatômicas, de onde vem a evolução... de onde vem a inteligência sofisticada do Homo Sapiens. Já estava no Big bang, ou se formou a posteriori por alguma interveniência até hoje não identificada pelo cientista?
Como as Teologias mais racionais apregoam sua Onipotência, Onisciência e Onipresença, não se cogita de um Deus que se deu ao trabalho de tudo criar, organizar e gerir, seja mau, ou indiferente à justiça como a entendemos. Quando as tais Teologias falam da Reencarnação, como instrumento de sua Justiça, os seres inocentes sendo sacrificados pela violência e ignorância, entendemos que tais inocentes nunca existiram.
Ainda assim, poder-se ia questionar sua bondade e misericórdia, e nas leis da reencarnação são elas atendidas em detalhes minuciosos. Digamos, apenas para simplificar raciocínios, que o inocente é aquele bárbaro que depois de repetidos avisos - reencarnações -, reincide, empedernido recalcitrante. Ainda assim, do mesmo modo que aconteceu com suas vítimas a angústia do sofrimento, da dor, é mais aparente do que real, visto que, examinada por seus julgadores estabelece parâmetros de justa piedade que inibe a indiferença pelos fatos em análise. Ou seja, o sofrimento leva a reflexão; a dor é mecanismo de alerta. "O Cristo disse: não façais ao próximo o que não quereis que façam a vós". Resumindo, aquele inocente, ainda debaixo da misericórdia, está num processo de depuração e elevação moral. Todos nós já passamos por quadros semelhantes; alguns aprendem mais rápido que outros e um episódio duramente "castigado" serve de perene lição contra a crueldade violenta. Mas existem outros tipos de crueldade a serem examinadas e extintas no devido tempo.
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CaveCanem escreveu:
La vem o JungF.
Uma coisa eu admito: a explicacao karmica pro mal no mundo é menos ruim que a do cristão medio que se resume a "dããã, livre-arbítrio", como se tal resolvesse magicamente todos os problemas oriundos do choque entre o "deus é amor" e a existencia do mal no mundo.
Só que, no entanto, todavia, tenho fortes razões para não crer nem na lei do karma, nem em uma realidade espiritual na qual ela opere. Razões que já mostrei nesse forum e que não vou me dar ao trabalho de procurar e repetir, voce deve estar careca de saber.
Então, ao menos para mim, o famoso e famigerado problema do mal não foi resolvido.
Mas gostaria que reparasse que não alfineto o deus abrahamico só nesse quesito não.
Tem a questão do psicologico divino, que é tão baixo e desprezível que chega a me dar nauseas (o mero irritar-se com suas proprias criacões ja basta - imagine então a violência gratuita, escatológica e absurdamente desproporcional).
Isso deixa claro que esse deus nada tem de divino e não passa de um humano amplificado, não muito distinto dos deuses do panteão greco-romano. Com a diferença de que é único e bem mais apelão em seus "poderes" divinos.
É mais uma projeção e amplificação do ego de quem concebeu tal deus, aquilo que o infeliz inconscientemente ou não deseja que tal deus seja... o que me diz muito do sujeito que o criou.
De fato, o que diz, já me faria manter boa distancia do infeliz, se acaso viajasse no tempo e o encontrasse e soubesse quem era, porque teria por certo se tratar de lixo humano perigoso, do tipo que acha justificativel passar gravidas e crianças no fio da espada.
Isso, a psicologia moderna já põe no rol de psicopatia.
Xenófanes já chamou atençao a esse criar-deus-a-imagem-e-semelhança-do-homem no sec VI BCE e uns 2500 anos depois ainda não caiu a ficha pra muita gente!
Marcion (Marcião) não consegui não ver tais absurdos, tanto é que rebaixou o IHVH do VT ao grau de um mero demiurgo, tipo um yaldabaoth. Só por causa disso, simpatizo-me bem mais com Marcião que com sua oposição
E chega o criaturo e diz que ele "não tem a obrigação de agradar a todos". Isso nem argumento é.
Vou dizer ao advogado da Richtofen e do Maniaco do Parque de usar esse argumento de merda como parte da defesa, de que não tendo o criminoso obrigação de agradar a todos, então tá justificado o que ele fez.
O unico jeito de se safar disso é propagandear uma imagem mais abstrata da divindade, sem esse lixo escritural e abusando da hermeneutica e usando-a com bastante afinco para dizer que não se interpreta tais coisas ao pé-da-letra
e que na verdade é assim e assado e ser um Deísta, como é o caso do humanista. Mas pergunto: já que a interpretação correta é outra, porque escreve-la de um jeito tão ruim e tosco e ainda por cima chamar a isso de "revelação" ??
Ai vem aquele argumento batido de que as pessoas daquela época só entendiam um tal linguajar tosco. Sério isso? É um puta desrespeito as pessoas simples, porque é supor que a unica coisa que elas entendem é um ensinamento
misturado a uma violência escatológica e total ausencia de bussola moral. Isso equivale a acha-las tão pequenas que justifica até mesmo tal conteúdo!! Nao sei se isso da vontade de rir ou de chorar.
Mas aqui (no deísmo), à semelhança da questão do karma, embora admita que esse deus deísta esteja anos-luz de distancia do deus-psicopata, não compro a ideia porque não engulo a questão do transcendente.
Tambem já mostrei minhas razões para tal e o Humanista as viu. Ainda não me convenci do contrário.
Repararam no padrão? toda vez que uma esquisitisse divina aparece, é justificativa daqui, justificativa dali, passa pano acolá. Como pode o divino precisar de tais coisas e ainda ser o que supostamente é? Como?
Vai que o Raulzito tem razão e esse divino ao mesmo tempo que é luz das estrelas, tambem é jura de maldição... o que nos leva a...
...algo melhor que um monoteísmo deísta, um panteísmo, o que levado ao extremo, igualaria o divino a tudo o que existe (ruim, bom, neutro)
E ai pergunto: de que isto se trata, que não seja no fundo por um rótulo na totalidade de tudo o que existe. Podia chamar esse todo de Flicts ou Blictri e "Deus" acaba se resumindo a um mero flatus vocis e Roscelino manda lembranças... E daí?
Sou grosseiro, material e terra-a-terra. Talvez o JungF tenha razão e eu seja "primitivo" demais para entender esse etéreo transcendente e seu(s) habitante(s).
Gosto de ler seus textos, têm certa graça e são inteligentes visto o propósito, mas peca nos argumentos que carecem explicações, os "porquês". Vc disse que não se daria ao trabalho de voltar às bases da descrença, etc. Muito prudente, talvez essas bases não sejam sustentáveis ante um juízo crítico imparcial.
Argumentos belos e agradáveis à oratória não devem ser tidos como explicações, justificativas, para seu modo de ver e analisar conteúdos adversos ao próprio ponto de vista, mormente sobre questão tão complexa, Deus.
Gostaria muito de ver vc contestar a existência dele, sem pejorativos vagos, adjetivos fortes mas fora do contexto; apenas descrença... para não dizer desprezo. O interlocutor não vai fazer melhor, pois está sob o peso da contradita nos mesmos termos.
E assim uma peça valiosa até para consultas, cercada de lógica e objetivos, dá lugar a um mero bate-boca.
Você pode até dizer que o tema não vale tanto a pena, mas seria muito bom para uma autoanálise.
Desculpe a pretensão.